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segunda-feira, 28 de julho de 2025

Segundo fluxo de pensamento livre, para descrever o passou na minha mente quando decidi agir diferente. Num momento de euforia falsificada, que pode não ser, mas eu desejo que seja, o último.

     Essa madrugada de domingo pra segunda, depois de todo aquele textão de fluxo livre de pensamento, passei com um amigo, usando mais entorpecente.        
     Não é da conta de ninguém. Eu sei. Mas vou relatar aqui que foi o amigo, com quem eu usei pela primeira vez. Talvez nunca tenho citado aqui nos meus relatos, quem ele é. E se não citei, não será agora que ele será nomeado. Quem conhece minha história antes do surto de 2014 e sabe quem é, que guarde esse saber para si.
    Sim, eu mantenho contato com essa pessoa, pois a amizade que temos vai além do uso de droga. Ele me ajudou muito na vida, em me acompanha em todos esses anos de "paranóia" sem julgar sequer 1 mínimo vacilo meu, que eu cometi na vida. E esse é outro ensinamento que percebo que aprendi mais com ele, do que com minha própria família.
    O uso de entorpecente, dessa madrugada, foi algo salvo, por esse amigo. Pois quando acordei na noite de domingo, sofri uma grave crise de ansiedade e de abstinência. Ele comprou e disse que o máximo que poderia fazer por meu ataque de abstinência, seria vir usar comigo.
    Enfim. Já 5:27h da madrugada de segunda-feira e eu queria deixar essa  madrugada registrada. Porque foi com ele que iniciei o uso, e será com essa amizade que o uso será cessado. Durante o dia procurarei um tratamento no caps, com um técnico que sinto uma boa relação de amizade também. Um técnico do caps que já elogiou minha musicalidade. E pretendo explicar a dificuldade que é me livrar da destruição que provoco no meu corpo, por conta da doença que tenho e do desejo que ela desligasse. Onde o único desligar que eu encontro é o suicídio. E como não tenho coragem de um enforcamento, ou um atropelamento, o suicídio que faço é a longo prazo, reduzindo os últimos dias de vida, ao invés de cessar de uma vez por todas, de imediato. É o suicídio que aprendi a fazer com a minha família e replico.
     Preciso da ajuda máxima dos técnicos do caps e o que me aparenta, é que eles não tem como me dar a atenção especial que preciso, a atenção que minha doença exige. E a consideração que tenho por esse amigo que me salvou essa madrugada, é porque, do jeito dele, assim como outros amigos fazem, me dão essa atenção especial, tendo a esperança que eu saia dessa vida, desse meu modo de viver, que é estar tentando destruir a vida e a condição no mundo que me foi oferecida.
     Não quero fazer desse relato, um relato muito extenso, mas esse registro precisava ser feito. Então de hoje, segunda, 28 de julho, um dia antes do dia do aniversário da Luana Vasconcelos. É o dia que vou enfrentar minha condição diferenciada. Vou sair de casa, encarar a sociedade, mesmo após a noite de uso. Mesmo imaginando que as pessoas na rua saberão que estou com a noite virada de um dia pro outro e que estarei ainda um pouco sob efeito da droga. Eu vou encarar a vida.
     Assim me retiro desse texto. Assim me retiro desse relato. Assim faço de mim alguém melhor, como esse amigo que está aqui comigo, deseja que eu seja. Tanto quanto minha família deseja. Tanto quanto a sociedade parece me pedir isso.