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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Miolos no asfalto

 Ontem, em 19 de fevereiro, passei por cima das ideias de alguém. Não sei quem. mas soube através de um motoboy, que aquele vermelho escuro no canto do asfalto, tinha sido outrora, as ideias de alguém, que por lástima, foi assassinado e deixou ali, atirado no chão, parte dos seus miolos, antes, pensantes.

Passar com as rodas da minha velha bicicleta por cima do resto do cérebro de alguém, me provocou um sentimento estranho. Algo que não sei explicitar. Como eu, um simples viajante do tempo, um ser vivo e racional, podeira passar por cima de partes da ex racionalidade de alguém? 

Senti como somos frágeis. Como pode, num piscar de olhos, no puxar de um gatilho, toda as ideias de um outro corpo, foi jogada no canto de uma estrada. O corpo se tornou um objeto inanimado. Mas as ideias, mesmo eu sabendo que não, sinto que elas ainda estavam lá de alguma forma.