Sinceramente, sendo bem franco, me pergunto frequentemente. Quem diria que seria eu a maior vergonha do mundo?
Estou numa situação que não me reconheço mais. Quando me olho no espelho, o que reflete é a imagem que ofereço aos outros mas, que não transmite a luta que preciso enfrentar dia após dia, tentando entender o porquê de eu ser eu. Há vezes que reflito e dentro de mim me incentivo. Vejo meu rosto e penso, "tu fez algo excepcional", "Tu é (foda)". Sim, tento me por pra cima. Porém, ao sair do reflexo, todo esse orgulho de mim mesmo, vai embora, desaparece.
Quem diria que seria eu, a pessoa que mostraria ao mundo os problemas desse país explorado, sufocado e atrasado, onde nasci.
Quem poderia imaginar que eu, um zé ninguém, insignificante, criado no meio do mato, desenvolveria uma condição inexplicável para a ciência? E precisaria aprender a lidar sozinho com a situação, por não haver, na história, alguma referência que tenha passado por isso também.
Agora eu sei. E depois de sabido, não há mais como não saber. E sabendo, sei quais seriam os melhores caminhos a trilhar. Entretanto, não consigo. Pelo menos, não agora.
Confesso que a vergonha alheia que sentem de mim. Vergonha que sentem da maneira como levei a vida. Eu também sinto.
Confesso também que, faço o meu melhor possível mas, percebo que o meu máximo é demasiado insuficiente.
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