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quarta-feira, 1 de março de 2023

Devaneio entorpecido da madrugada

Com sinceridade, vos digo, ó meus queridos leitores imaginários. Eu me drogo, me mutilo e cultivo pensamentos danosos para evitar idolatria. Não desejo que minha pessoa seja venerada. Desejo que as coisas que produzo, por exemplo música, escultura em argila, poemas, enfim, minhas obras sim, tenham algum valor.
Eu desejo que meu corpo, meu eu no universo físico, seja ignorado e visto como alguém a não ser seguido. Por isso me agrido.
Mas ultimamente tenho notado um movimento para que eu me valorize, para que eu acredite mais em mim, no meu potencial e na minha capacidade de ser alguem respeitável, um bom exemplo para o mundo. No fundo eu gostaria de ser uma pessoa boa, sem vícios prejudiciais para minha saúde. Sem fomentar pensamentos maliciosos, preconceituosos, ou maligno. Mas é difícil suportar os olhares de desconhecidos. É difícil aguentar a ideia de que tudo que eu faço, penso, vejo, escuto, imagino, está sendo compartilhado e julgado. 
Também vos digo, é muito mais fácil sustentar uma imagem ruim de si próprio, do que uma imagem de boa pessoa. Eu sou um ser humano, e os seres humanos são criaturas ruins. Sendo assim, ser o que somos é menos trabalhoso.
Escrevendo esse texto cheguei agora no pensamento de que sustentar a minha imagem ruim é apenas preguiça de me dar ao trabalho de mudar minha conduta. 
Para encerrar o devaneio. Me mutilo para evitar idolatria. Quero ser apenas mais um vagante pensante do planeta terra.

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