Muitos ditam a frase "a vida a breve". E considerando a média de 70 voltas ao redor de uma estrela, que qualquer um sabe, ser o tempo que nós humanos temos a oportunidade de contemplar a existência, comparando com o possível infinito tempo que o cosmos está e estará por aí, da para se entender o que querem dizer com "ser breve".
Mas essa rapidez de existência não me parece real. Cada dia que passa é uma tortura. Eu me mutilo inconscientemente por conta de um vício desgraçado, mas o tempo parece se arrastar.
Certamente tenho menos tempo de vida, do que já vivi. Esse tempo mais curto que tenho, do que o tempo que ja tive, me parece bem longo. Talvez por não estar preso a uma rotina de produtividade, onde há mais coisas para serem feitas do que horas para fazê-las em um dia. Talvez por considerar que a vivência pode ser aproveitada dando atenção a coisas fora do comum.
Outro dia refleti sobre o que cada pessoa tem. E vejo gente de meia idade, assim como eu, cheias de angustia. Cheguei numa breve conclusão de que o motivo dessa agonia é por estarem cheios de vida. Essas pessoas já estão cheias de passado e também ainda estão cheias de futuro. Pois pensem, tudo o que alguém bem jovem tem, é um futuro que ainda não existiu, então tem praticamente nada. Já uma pessoa bem idosa, tudo o que tem é um passado, que já não existe mais, então também praticamente não tem nada. Mas alguém que tem um passado próximo e um futuro longo, está cheio de algo que incomoda demais. Incomoda por não poder ser tocado. Não é possível tocar no passado, pois ele não existe mais, mas está ali, consigo, presente. E não é possível tocar no futuro, pois ele ainda está por vir e pode ser alterado por inúmeros fatores.
Esse tempo que dizem ser breve, que tem a tal da vida, não se alonga sendo preenchido corretamente, nem se encurta sendo desperdiçado com futilidades. Esse tempo é lento e longo por si só. Basta saber ajustar o relógio e ver as horas.
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