Uma das únicas coisas que faço, que não sinto vergonha se rirem, são meus textos. Mesmo com todos os erros de coerência que acabo cometendo, ao deixar o pensamento livre e ir conversando sozinho, escrevendo. Mesmo com a nudez sentimental a respeito de amores, lamentações, dores, entre outras coisas que sinto. Eu sinto que escrever me deixa seguro. Não me dói risadas, chacotas, críticas ofensivas, demérito ou qualquer outro ataque que façam para com o que redigi.
Escrever me concentra, me faz não focar o pensamento em lembranças ruins. Porém escolher palavras para desabafar publicamente, aqui, para mim mesmo, atrapalha essa libertação que vem de dentro.
Escrever sobre amor, às vezes amores que só existem em minha imaginação, amores que se eu mesmo tento pronunciar sobre eles, as palavras não saem, me faz sentir um "por pra fora" essa angustia, ansiedade, que brota aqui dentro muitas vezes.
Escrever sobre dor, dores que carrego na vida, produzidas à muito tempo atrás, mas que, aberta, ainda está a ferida, me tira o lamento e o pensar em morrer. Morrer, jamais!
Deixar em textos, o trabalhar dos meus miolos. Compartilhar com o digital essas conexões que meus neurônios produzem, para o acaso de alguém encontrar e ler, não é vergonhoso para mim. Pois sinto que organizando as palavras, perfumo ideias, agradando os sentidos, como de alguém que cheira uma flor de jasmim.
É com leveza que digo: Aqui me deixo em texto à muitos anos, muitas vezes confuso, mas cada letra foi um pedaço, de dentro da minha cabeça, que saiu do meu corpo. E isso talvez seja eu.
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