Tenho a convicção e certeza absoluta de que meus pensamentos são vistos por todos os animais. Por mariposas, formigas, gatos, cachorros e pardais.
Isso me causa medo, confusão mental, ansiedade, vergonha, incomodação, receio de escolher algum caminho, por conta das possibilidades de diferentes finais.
Escolher saúde, para conseguir viver o quanto mais, é indispensável. É escolher estar por mais tempo, entre todos nós, mortais.
Ter essa certeza disso e não saber o que posso fazer com essa condição, é um dos meus problemas reais. Ninguém sabe o que me sugerir, além de manter uma abstinência eterna, como se meus vícios fossem a única causa que impede "minha" ideia de greves gerais e globais.
Involuntariamente, tenho a sensação de que esperam por mim. Que eu tenha um comportamento correto. Para enfim os trabalhadores se unirem, internacionalmente, e revolucionar o sistema trabalhista, exploratório, que exausta o povo. E enriquece poucos, que compram o tempo de vida e mão de obra dos proletários, em fábricas de empresas multinacionais.
Sentir que depende de mim, e saber que não depende. Saber que, apesar da certeza do compartilhar minha mente, sou insignificante para que haja uma revolução. Que minha condição de adicto ou reabilitado, não será suficiente pra mudança no mundo acontecer, me sugere o pensamento de que, acreditar numa relevância própria, da minha parte, seja apenas delírio de grandeza, um dos meus problemas mentais.
De conhecimento político, econômico, social e educacional, sou leigo demais. Por isso penso, que eu ser referência ou a motivação, para a organização dos trabalhadores ser feita, deve desconsiderar meu comportamento bom ou ruim e depende apenas do querer, de cada um, um sistema de produção mais justo e que acabe com as desigualdades sociais.
E cada um, se parar pra pensar em quantos são todos esses "cada um", somos muitos. Caso quisessem, de fato, retirar o poder dos que mandam nos governos, seria fácil e rápido, com essa multidão, unida e organizada, de serviçais.
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