Dentro de mim havia um medo,
de quem sou agora,
quando eu era
quem não viu o mundo,
antes da existência,
de quem eu sou.
Eu via quem sou
e pensava.
Eu sou mau,
farei maldade comigo.
Mas eu era apenas
adolescentes fumando cannabis,
numa esquina,
numa tarde ensolarada.
Hoje sei que causo medo
até em quem me ve de longe.
Não por eu ser um adolescente
que fuma erva, de forma recreativa.
Mas por eu ter a capacidade de me curar,
mostrar ao mundo onde está o erro
que nos escraviza de uma forma moderna.
Sem precisar subir num palanque,
arriscando ser alvejado por um atirador de elite.
Posso, se me curar, me organizar, estudar
e ensinar, que o trabalhador comum,
aquele que separa uns trocados pra cerveja,
pro churrasco, pode ser meu aliado
e projetar/elevar esse medo que causo,
em velhos engravatados.
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