Quero ser,
após morrer,
ídolo daqueles
que se propõem a morrer,
sem medo,
nem exitação,
de transformar o mundo
em um lugar melhor,
onde não haja classe social,
nem exploração.
Quero ser, sem rosto,
enquanto vivo,
para evitar perseguição.
E, para isso,
sei que preciso parar
com a drogadição,
com a procrastinação,
e me dedicar à educação política.
Preciso tirar a máscara de vítima,
tomar atitude,
ter disciplina rítmica,
ser, sem ver, a figura heroica,
unificadora do povo trabalhador
do mundo.
Pois, ao ver um estádio de futebol
lotado, em um jogo de final de campeonato,
que não chega a ser nem 1% da cidade reunida,
a matemática da falta de verba para melhorias sociais
não bate: o resultado da conta dá errado.
Quero ser a versão,
após meu corpo não produzir mais pulsação
no coração,
quem fez toda a civilização ver
que o erro está na quantidade de produção,
que enriquece o patrão
comparado ao que recebe de remuneração,
o funcionário,
percebendo nova escravidão.
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