Querido e adorável ser.
Tu que me le nesse momento, tenho algo para compartilhar.
Quero confessar que sinto um amor demasiado intenso, por uma mulher possuidora de uma força deveras potente e que me ensinou, ao longo desses vinte anos de amizade, inumeras coisas sobre a vida.
Já, de início, é indispensável reescrever uma das mensagens mais combativas que já recebi, em conversas virtuais, que foi escrita por essa mulher, durante uma troca de ideias sobre questões sociais. Quando ela ainda tentava salvar o mundo, e não apenas a si própria. Um texto que diz assim: "Eu não posso deixar de ser capitalista, vivendo em um mundo capitalista. Mas enfrento as coisas de um modo melhor do que gritar ANARQUIA!".
Vira e mexe. O tempo se passa. E minha mente, quando pensa um pouco nesse amor, resgata esse posicionamento dela.
Talvez hoje em dia, ela até seja um pouco mais anarquista, mesmo sendo obrigada a seguir as normas capitalistas, impostas por esse regime que nos faz correr, de qualquer forma possível, atras de capital, pra ter pelo menos uma subexistência. Pois a poucos dias no pretérito do dia em que escrevo essa carta, ela me confessou que está precisando trabalhar em um serviço que a sociedade em geral tem muito preconceito.
Nesses últimos anos, essa mulher, que eu admiro e amo com todo o meu sangue sendo bombeado no meu coração, tem relatado um profundo desprezo pela própria vida. Seguidamente, ela me envia mensagens que relantam idealizações suicida. E creio eu, que esse desejo de encerrar a existência do metabolismo corpóreo, que sustenta o raciocínio crítico feroz para com as questões sociais, que ela possui, seja provocado pela necessidade de vender as partes íntimas de seu corpo, com a finalidade de ter o que comer, o que vestir e o que lhe da uma fuga dessa realidade perturbadora em que ela acabou sendo inserida.
Tenho a certeza, pelo vasto tempo que mantemos contato, que ela não chegou nesse trabalho por falta de inteligência. Mas sim por um ambiente residencial, que possui muita violência verbal, muita desmotivação e falta de apoio.
Para evitar que essa carta se prolongue por mais alguns parágrafos, busco encerrar essa minha confissão de que sinto amor por uma puta. Pois sei que ela é muito mais do que apenas isso.
Com amor e carinho.
Criatura abstrata.
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